terça-feira, 19 de maio de 2009

Arte Moderna....Em conexões impensadas...

Comedores, Ernst Ludwig Kirchner, 1930.

"Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro."

Mário de Sá-Carneiro
(Este poema foi musicado por Adriana Calcanhoto.)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Dalí com IRA...Em releituras possíveis...

Hoje, enquanto voltava da faculdade, ouvia tocar no rádio uma música que estou certa de ter ouvido outras tantas vezes, mas nunca antes como hoje. O fato é que, enquanto a música tocava, uma imagem saltava, dava piruetas e se desdobrava em minha mente. Era uma obra de Salvador Dalí. Acho que ela estava assim tão viva em minha memória porque eu e meus alunos tínhamos feito uma proveitosa leitura dela na semana passada.
Mas, ainda que eu tentasse, não poderia traduzir aqui todos os caminhos que percorremos durante a leitura feita porque acredito que nem mesmo nós poderíamos reconstituí-los, mas, acreditem, o passeio fora dos mais inebriantes. E, hoje, de súbito, aquela música me colocou novamente num daqueles caminhos, para que, mais uma vez, eu o recriasse. Não pude evitar pensar um pouco mais sobre tudo que Dalí nos convida a ver em "Criança Geopolítica Observando o Nascimento do Homem Novo", desta vez embalada pelo som do IRA tocando "Dias de Luta". E por isso vim aqui compatilhar com vocês a imagem e a letra, NA CERTEZA DE MUITAS DÚVIDAS. ;-)


Só depois de muito tempo
Fui entender aquele homem
Eu queria ouvir muito
Mas ele me disse pouco...

Quando se sabe ouvir
Não precisam muitas palavras
Muito tempo eu levei
Prá entender que nada sei
Que nada sei!...

Só depois de muito tempo
Comecei a entender
Como será meu futuro
Como será o seu...

Se meu filho nem nasceu
Eu ainda sou o filho
Se hoje canto essa canção
O que cantarei depois?
Cantar depois!...

Se sou eu ainda jovem
Passando por cima de tudo
Se hoje canto essa canção
O que cantarei depois?...

Só depois de muito tempo
Comecei a refletir
Nos meus dias de paz
Nos meus dias de luta...

Se sou eu ainda jovem
Passando por cima de tudo
Se hoje canto essa canção
O que cantarei depois?...

Cantar depois!...

(Composição: Edgard Scandurra)

domingo, 10 de maio de 2009

E eu não poderia deixar de começar com o mestre Fernando Pessoa, em uma das melhores lições deixadas para a humanidade: alguns trechos de "O Guardador de Rebanhos", escrito pelo heterônimo Alberto Caeiro por volta de 1914. (Indispensável a leitura na íntegra, e quantas vezes forem necessárias para que se leia com os olhos.)

"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...(...)
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.(...)
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender(...)"